O dia em que eu decidi maquiar…

Para meu aniversário de 13 anos, meus pais decidiram que era o momento de me presentearem com uma maleta de maquiagem. Lembro com precisão do que veio com ela, porque boa parte resistiu até os dias atuais. Era uma dessas para iniciantes mesmo: com uma paleta de sombras para a maleta e outras três paletas pequenas para “viagem”; pincéis; uma variedade considerável de blush; pó solto; delineador – um preto e um gliterinado (que não usei uma vez se quer, porque só descobri a aplicação depois que já não tinha mais); máscara de cílios; lápis (olho/boca); batom e até dois esmaltes. Para quem vivia correndo atrás da maquiagem da mãe, foi uma realização.

O engraçado é que meu conhecimento até aquele momento era tão restrito que eu não fazia ideia que o uso dos cosméticos deviam ser acompanhados de tratamentos básicos com a pele. Foi realmente uma novidade quando minha mãe trouxe a primeira base que nós duas partilhamos, afinal, o pó já não cobria o que precisava ser coberto? Qual a necessidade da aplicação de mais uma camada? Para falar a verdade, a função do corretivo eu só fui descobrir depois dos 15.

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“Mãe, como usa essa coisa aqui mesmo? Precisa?”

Mesmo desconhecendo muito, eu não deixava de experimentar. Tentava reproduzir os tutorias das revistas que lia, a maquiagem da artista que acompanhava e mesmo tendo uma quantidade considerável de erros, não me importava – na minha opinião, eu sempre estava LYNDA. E até traria o registro de algumas reproduções minhas se ainda conseguisse acessar as fotos antigas, perdidas em algum buraco negro qual não tenho acesso temporariamente.

Mas… quem sabe um dia?

A verdade é que meu relacionamento com os cosméticos sempre teve suas alavancadas e recaídas, mas jamais foi uma questão ou uma forma de esconder “falhas”. Eu usava quando me apetecia, pois além de muita preguiça, mamãe sempre disse que “maquiagem envelhecia”. E quando mamãe diz, a gente obedece, claro.

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“Contorno?? Quem faz essa macumba?!?!”

Até que a faculdade veio. E com ela as festas vieram também. Uma delas, particularmente, me deu um certo trabalho.

Era Halloween, ou seja: fantasia para dress code. Eu como sempre, muito fã de festas temáticas, decidi que não poderia perder essa e a partir daí, os problemas só começaram. Como qualquer universitária, não havia dinheiro para investimento em fantasia o jeito era apelar para o faça você mesma e fabricar uma com o que eu tinha disponível. Não precisei gastar muita energia tentando descobrir o que gostaria de fazer porque naquela época o cabelo favorecia, o vestido no fundo do guarda roupa também; tanto é que a tiara (à lá Blair Waldorf) e a meia branca só apareceram para somar. Deu pra imaginar?

Boneca (endemoniada) foi a da vez e cá vai um spoiler: deu certo!

Com o vestuário todo preparado, só me faltava a maquiagem. Com a habilidade que havia adquirido até então, após anos de experimentação, decidi que daria conta do recado by myself e a partir daí YouTube foi o meu melhor aliado na busca por referências. Lembro que minha única compra foi um par de cílios postiços que inclusive, descobri mais tarde, eu apliquei de forma errada.

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MEU BATOM, Jesus, será que vai dar certo?

Naquele momento, o que foi interessante é que a produção toda despertou uma parte que até então andava adormecida. Com o tempo, passei a assistir tutoriais de maquiadores apenas por entretenimento e quando dei por mim, estava em um curso para maquiadores profissionais.

A decisão não foi tão aleatória quanto dei a entender no parágrafo anterior, é claro, mas a verdade é que produções sempre me atraíram profundamente, mesmo que eu não estivesse ciente disso. Eu era a curiosa que assistia programas televisivos, filmes e séries/novelas apenas para reparar nos cenários, no vestuário e no cabelo/maquiagem dos personagens, vejam só.

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Com o passar dos dias tenho descoberto que, na verdade, o prazer por embelezar vai muito além do que aprender novas técnicas, aprimorar habilidades e canalizar minha veia artística. Fazer alguém se sentir confortável consigo mesmo (principalmente após sofrer para se encaixar em todos os padrões e regras absurdos impostos por nossa sociedade, dia após dia) ou realçar a beleza e a confiança de quem não se vê da mesma forma que os muitos o vêem, é gratificante e também um privilégio.

Pretendo não somente continuar realçando a beleza de cada uma que confiar esta tarefa a mim, como também partilhar um pouco do meu conhecimento com quem se interessar por ter acesso a ele. É tentando (e compartilhando) que se aprende, não é mesmo?

Para quem quiser conhecer um pouco mais do meu trabalho, um clique aqui deve bastar.

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Vejo vocês em breve! ❤

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O que mudar quando se está mudando?

Percebi, com o passar do tempo, que era de costume meu escrever pelo menos uma vez a palavra ‘mudança’ em qualquer rascunho que planejasse. Levou um tempo para eu entender, mas a verdade é que há um motivo para isso.

Não só você, Ice King!

A vida é cheia de imprevistos e essa lição foi uma das que aprendi logo. Devia ter por volta de uns dez anos quando ganhei dos meus pais um livro intitulado “Quem Mexeu No Meu Queijo?“.

Naquela época, foi de uma ironia sem tamanho. Até então, queijo era a única comida qual eu realmente não comia, de nenhum jeito. Ralado, derretido, em nó, nada servia. Como acompanhamento ou prato principal, queijo não fazia parte da minha dieta e ponto. Acreditei que seria mais uma daquelas formas divertidas dos meus pais me ensinarem o quanto leite e seus derivados eram importantes na vida de alguém.

Acontece que não foi bem assim.

A história tratava, basicamente, de dois homens muito pequenos (pequenos mesmo, não maiores que um copo) que moravam próximos a um labirinto. Para a alegria geral da nação, um deles em um dia qualquer havia encontrado um estoque gigantesco de queijo. Lembro até hoje como pensava na infelicidade de encontrar um quarto repleto de queijo. De qualquer forma, todos os dias os homenzinhos caminhavam da casa em que moravam até o estoque, onde comiam e passavam o dia, até que chegava o triste momento de retornarem para casa. A rotina dos dois segue dessa forma até o momento em que o queijo simplesmente desaparece.

E é nesse ponto em que o desespero surge. Afinal, quem poderia ter mexido naquele queijo todo??

A primeira hipótese para explicar o acontecido é claro, roubo. Mas quem poderia ter carregado toda aquela quantia de queijo da noite para o dia sem ser visto? Conforme o desenrolar da história, as hipóteses vão sendo formuladas e desconstruídas em igual velocidade, até que em um ponto da narrativa, só resta a realidade para que os pequenos homens enfrentarem: o queijo não havia sido roubado e sim consumido, inclusive por eles mesmos.

A mensagem que o livro nos passa é a de que precisamos saber lidar com as mudanças que surgem na nossa vida de maneira positiva e construtiva, independente do que estejamos passando no determinado momento.

E agora você me questiona, de que isso lhe serve?

E eu lhe respondo: eu almocei lasanha hoje. Nem nos meus piores sonhos eu almoçava lasanha e hoje eu não queria nem deixar um pedaço para o meu irmão. Só de lembrar, minhas papilas gustativas já sentem saudades. Como pode isso acontecer? Da noite pro dia, o quarto repleto de queijo parece uma ideia fantástica, aliás, como não pensei nisso antes? O tanto que podemos fazer com ele, não é mesmo?

Costumo dizer que só mudamos quando sentimos que já não somos nós mesmos. Quando aquela ação repetida que costumávamos ter, de repente, não surte mais efeito. Ou então, perde o gosto. Para mim, existe vagando por aí, uma tonelada de versões de cada um de nós. Uma versão minha que é apaixonada por filmes de terror. Uma versão toda tatuada. Uma versão atuante na área da biologia. Uma versão delicada. Uma versão que pratica um esporte com afinco. Até mesmo uma versão que não faria as mesmas escolhas que eu fiz, mas que não deixaria de ser eu por conta disso.

E vez ou outra, me permito incorporar um pouco de cada uma dessas minhas versões. Não há mais ou menos “eu” num batom escuro, num cabelo colorido ou numa lasanha. Há apenas uma Letícia diferente. E uma que eu gosto de ser.

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O que Martin McFly (não) encontrou no futuro?

Para celebrar o dia em que o personagem de Back To The Future, Martin McFly (Michael J. Fox) faz a sua visita ao futuro de 2015, nada mais justo que (mais um) comparativo entre as expectativas dos redatores de ’80 para o século 21 e realidade que cá estamos, certo?

2015
É HOJE!

Começaremos pelos acertos:

Nostalgia

Não temos uma frota de carros voadores, é verdade. Mas ao que diz respeito à recordação e ao saudosismo em relação à outras épocas, estamos de acordo com a previsão. Desde artigos de lojas de antiguidades (que em geral, custam uma fortuna) à peças do vestuário, carregamos de tempos em tempos algo que já foi tendência uma vez. Um exemplo? Peças metalizadas:  Gucci, Emílio Pucci e Tom Ford foram uma das marcas que apostaram no tecido para as passarelas de 2015/16.

Quem disse que os anos 80 não vieram com força essa estação?

Ao que diz respeito das marcas: Nike e Pepsi prometiam para 2015 uma versão melhorada de seus produtos: uma embalagem futurista de Pepsi Perfect e uma versão do Nike Air Mag com autoajuste que, embora possíveis, parecem um tanto utópicos, não? Aproveitando a demanda, as empresas recriaram os produtos que a saga nos apresentou, há 30 anos atrás.

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E aqui vai um update: Nike confirmou a produção do Nike Air Mag ajustável. Em nota, a empresa afirma que o tênis já está sendo fabricado. As unidades são limitadas e irão a leilão; o valor arrecadado com a venda, será doado pra a fundação Michael J. Fox Foundation for Parkinson’s Research – que como o nome já sugere, é voltada à pesquisa para a descoberta da cura para o mal de Parkinson (doença que aliás, o próprio Michael J. Fox é portador).

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É McFly, parece que não estamos tão distantes assim da realidade de Back To The Future!

Comportamento: check. Fashion: check. Tecnologia: é…. talvez.

Melhorias

Mesmo extrapolando os limites da nossa realidade, Back To The Future trouxe alguns conceitos que hoje encontramos de maneira bem sólida. Sistemas integrados, inteligência artificial, comandos por voz e movimento, realidade virtual e até mesmo smartphones já se faziam presentes no cenário do segundo volume da saga.

Nesse momento a casa dos McFly se torna referência do que é bastante palpável em nosso dia a dia: painéis iluminados substituindo janelas; televisões de parede (maior acerto da saga, na minha opinião), a intertextualidade do conteúdo (Martin Jr assiste seis canais ao mesmo tempo, nós assistimos um e o comentamos no Twitter, no Facebook, etc); dispositivos de interação e conexão à mesa do jantar – e aqui trato por dispositivos pois a função que se dá a entender dos óculos que Martin Jr e a irmã utilizam não é única e exclusiva de um Google Glass, por exemplo; sistema de segurança por digitais (se o seu computador ou celular não tem um, você certamente já sabe que eles existem); ambientes que respondem a comando de voz e chamadas de vídeo.

Ah, as coisas que a internet nos dá.

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A verdade é que eu preferia reidratar uma pizza mesmo.

Outra empresa que anunciou já fazer parte do futuro é a Toyota! Quem lembra do Mr. Fusion, o reator de energia portátil? A campanha “abastecido pelo futuro” nos apresenta uma solução alternativa para o combustível à base de petróleo, inspirada no reator movido à lixo orgânico do Doutor. Eu ouvi alguém dizer “consumo sustentável”?

Mesmo devendo uma série de melhorias para Doc e Martin, sei que estariam maravilhados da mesma forma se visitassem o futuro! As ruas continuam sendo úteis, os hologramas ainda não são tão populares quanto se esperava e os tecidos são mais sóbrios e menos espalhafatosos, é verdade. Mas mesmo com todas as facilidades e utilitários que encontramos a nosso favor nesses dias, a real evolução deve acontecer dentro de nós: na forma como pensamos, interagimos uns com os outros e principalmente em como preservamos o ambiente em que vivemos.

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Ah! Antes que eu esqueça: Doc tem uma mensagem pra vocês!

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