O que mudar quando se está mudando?

Percebi, com o passar do tempo, que era de costume meu escrever pelo menos uma vez a palavra ‘mudança’ em qualquer rascunho que planejasse. Levou um tempo para eu entender, mas a verdade é que há um motivo para isso.

Não só você, Ice King!

A vida é cheia de imprevistos e essa lição foi uma das que aprendi logo. Devia ter por volta de uns dez anos quando ganhei dos meus pais um livro intitulado “Quem Mexeu No Meu Queijo?“.

Naquela época, foi de uma ironia sem tamanho. Até então, queijo era a única comida qual eu realmente não comia, de nenhum jeito. Ralado, derretido, em nó, nada servia. Como acompanhamento ou prato principal, queijo não fazia parte da minha dieta e ponto. Acreditei que seria mais uma daquelas formas divertidas dos meus pais me ensinarem o quanto leite e seus derivados eram importantes na vida de alguém.

Acontece que não foi bem assim.

A história tratava, basicamente, de dois homens muito pequenos (pequenos mesmo, não maiores que um copo) que moravam próximos a um labirinto. Para a alegria geral da nação, um deles em um dia qualquer havia encontrado um estoque gigantesco de queijo. Lembro até hoje como pensava na infelicidade de encontrar um quarto repleto de queijo. De qualquer forma, todos os dias os homenzinhos caminhavam da casa em que moravam até o estoque, onde comiam e passavam o dia, até que chegava o triste momento de retornarem para casa. A rotina dos dois segue dessa forma até o momento em que o queijo simplesmente desaparece.

E é nesse ponto em que o desespero surge. Afinal, quem poderia ter mexido naquele queijo todo??

A primeira hipótese para explicar o acontecido é claro, roubo. Mas quem poderia ter carregado toda aquela quantia de queijo da noite para o dia sem ser visto? Conforme o desenrolar da história, as hipóteses vão sendo formuladas e desconstruídas em igual velocidade, até que em um ponto da narrativa, só resta a realidade para que os pequenos homens enfrentarem: o queijo não havia sido roubado e sim consumido, inclusive por eles mesmos.

A mensagem que o livro nos passa é a de que precisamos saber lidar com as mudanças que surgem na nossa vida de maneira positiva e construtiva, independente do que estejamos passando no determinado momento.

E agora você me questiona, de que isso lhe serve?

E eu lhe respondo: eu almocei lasanha hoje. Nem nos meus piores sonhos eu almoçava lasanha e hoje eu não queria nem deixar um pedaço para o meu irmão. Só de lembrar, minhas papilas gustativas já sentem saudades. Como pode isso acontecer? Da noite pro dia, o quarto repleto de queijo parece uma ideia fantástica, aliás, como não pensei nisso antes? O tanto que podemos fazer com ele, não é mesmo?

Costumo dizer que só mudamos quando sentimos que já não somos nós mesmos. Quando aquela ação repetida que costumávamos ter, de repente, não surte mais efeito. Ou então, perde o gosto. Para mim, existe vagando por aí, uma tonelada de versões de cada um de nós. Uma versão minha que é apaixonada por filmes de terror. Uma versão toda tatuada. Uma versão atuante na área da biologia. Uma versão delicada. Uma versão que pratica um esporte com afinco. Até mesmo uma versão que não faria as mesmas escolhas que eu fiz, mas que não deixaria de ser eu por conta disso.

E vez ou outra, me permito incorporar um pouco de cada uma dessas minhas versões. Não há mais ou menos “eu” num batom escuro, num cabelo colorido ou numa lasanha. Há apenas uma Letícia diferente. E uma que eu gosto de ser.

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