A Menina Que Não Sabia

Foi em uma tarde de sábado, exatamente como a de hoje. A iluminação que chegava através janela coberta pela cortina amarelo-baunilha (que me acompanha até os dias atuais) refletia todo o rosa encrustado nos móveis, deixando uma névoa alaranjada pairando no cômodo. De tempos em tempos um vento balançava o tecido criando uma espécie de movimento dentro do quarto e os pássaros que vagavam entre as árvores próximas ao apartamento faziam questão de celebrar a transição primavera-verão, pela qual estávamos passando.

O horário das quatro sempre esteve entre meus favoritos. Não é tão cedo que o dia esteja começando, nem tão tarde que já esteja terminando e é exatamente por isso, que é um horário excelente para pôr ideias em prática. Então, naquela tarde revisei todos os pensamentos absurdos que me ocorreram durante a semana sobre escrever, para quem quisesse ler, um blog. 

Imagine só – eu, Letícia, blogueira! Rá.

O que eu sabia sobre blogs era pouco e se resumia em: a maioria deles já serem negócios e principalmente, que envolviam moda, cultura e um pouquinho de lifestyle. Foi então que naquele sábado pesquisei o quanto pude sobre um universo o qual não havia me atrevido a participar, muito menos acompanhar. Foram várias publicações lidas, vários vídeos assistidos até eu me dar conta de que eu tanto podia quanto queria muito participar dessa ideia absurda de contar para pessoas desconhecidas o que estava me acontecendo ou a maneira como eu enxergava o mundo – que já era bastante diferente das minhas companhias.

Pensei no que gostaria de ter como conteúdo e já me veio à mente a narrativa. Eu realmente precisava de um espaço que fosse meu para compartilhar toda a necessidade de combinar as palavras e passar uma mensagem relevante a partir delas. Precisava compartilhar minhas descobertas e experiências, expressar meus pensamentos (e sentimentos também, porque não?) extravasar a indignação perante a diversas situações cotidianas que a meu ver, não estavam de acordo e principalmente, precisava escrever, o quanto antes.

No entanto, não me ocorria nenhum possível título para o emaranhado de assuntos e pautas e pensamentos e filosofias e experiências e não. Nada funcionava. Até que minha única solução se tornou abstrair o problema e de repente, com um empurrãozinho do acaso, lá estava: “A Menina Que Não Sabia Ler” na lombada de um livro desajeitado na estante.

Comecei a amadurecer o pensamento, mas já estava decidido: A Menina Que Não Sabia já fazia todo sentido naquele momento – 3 anos após a decisão, continua preservando o significado e traz consigo também um carinho inestimável.

Coisa mais linda! ❤

Não aprendi a ser a menina que os outros desejavam que eu fosse ou esconder minhas maluquices, mesmo recebendo olhares tortos. Não aprendi a menosprezar minha veia criativa, mesmo após ingressar em uma graduação onde todos imaginam que pra criatividade não existe espaço. Não aprendi a ser alguém que eu não sou para ser agradável ou conquistar uma posição. E espero continuar sem saber feeling que é anular para agradar.

No entanto, aprendi (e muito!) sobre respeito: com o outro, com outras espécies, com o ambiente que vivo. Aprendi também sobre perdão e relacionamentos. Sobre o que se configura como “certo” e como se define o “errado”. Sobre tentativas. Sobre antecedentes. E, creio eu, hoje estou pronta para compartilhar cada uma das minhas descobertas com quem estiver afim de ler (e comentar, e compartilhar e gerar conhecimento).

Espero que vocês apreciem o cantinho, que além de ser confeccionado com muito amor é também um espaço pra aprendizado: de vocês e principalmente, meu.

Nos vemos em breve?

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